Ondas de calor: Palmas já monitora o clima. E quem protege o ACS e o ACE que está na rua?

Ondas de calor: o que a Semus de Palmas fará para proteger ACS e ACE que trabalham nas ruas?

O alerta sobre novas ondas de calor coloca uma pergunta importante para Palmas: diante do aumento das temperaturas e dos riscos à saúde, quais medidas serão adotadas para proteger os ACS e ACE que passam boa parte da jornada expostos ao sol?

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que a frequência das ondas de calor vem aumentando no Brasil e que o cenário de El Niño em 2026 e 2027 pode favorecer temperaturas acima da média e eventos de calor mais frequentes.

Para quem trabalha dentro de uma unidade de saúde, o calor já é um problema. Para quem precisa sair dela e percorrer o território, a situação é ainda mais concreta.

Em Palmas, ACS e ACE conhecem essa realidade.

É sol forte, caminhada, deslocamento entre domicílios, terrenos, quintais, áreas descobertas e longos períodos fora da unidade.

E a pergunta passa a ser: como manter o trabalho no território sem colocar a saúde do próprio trabalhador em risco?

Palmas já tem uma regra que permite mudar os horários

Existe um detalhe importante que merece atenção.

Uma regulamentação municipal publicada em maio de 2026 já prevê que, em períodos de sazonalidade climática, especialmente diante de temperaturas elevadas ou outras condições ambientais adversas, os horários das atividades externas dos ACS e TACS poderão ser adequados ou reorganizados para proteger a saúde e a integridade física dos profissionais.

A mesma regulamentação estabelece que uma alteração excepcional dos horários ou da organização das atividades externas deve ser formalizada por ato específico da Secretaria Municipal de Saúde.

Ou seja: não seria necessário esperar uma situação extrema para discutir uma organização diferente do trabalho externo.

A própria norma municipal já abriu essa possibilidade.

E os ACE?

Para os Agentes de Combate às Endemias, a discussão também merece atenção especial, porque boa parte do trabalho é realizada diretamente no território e envolve exposição às condições ambientais.

O desafio, portanto, não é simplesmente “parar o trabalho”.

É organizar o trabalho de forma mais segura quando as condições climáticas aumentarem o risco.

O que a Semus já está fazendo

A Secretaria Municipal da Saúde de Palmas não está ignorando o cenário climático.

Desde junho, o Município mantém o Programa Municipal de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres, o Vigidesastres, responsável pelo monitoramento das condições ambientais e pela preparação para períodos de seca, baixa umidade e queimadas.

A Semus também vem realizando ações de educação em saúde e capacitação de profissionais das Unidades de Saúde da Família, incluindo ACS, para orientar a população diante dos efeitos da estiagem, fumaça e calor.

Nos últimos dias, a situação ficou ainda mais evidente.

Em agosto, Palmas registrou umidade relativa do ar entre 12% e 20%, nível classificado como “Perigo”, além de temperatura máxima de 36,8 °C em 19 de agosto. A Semus alertou para os riscos de desidratação, problemas respiratórios e outros agravos associados ao tempo seco e às queimadas.

Na semana de 16 a 22 de agosto, a umidade mínima chegou a 18%, enquanto a Semus registrou aumento dos atendimentos relacionados a doenças respiratórias.

Mas existe uma diferença entre monitorar o risco para a população e definir medidas específicas para proteger quem trabalha diariamente exposto a esse risco.

E é justamente aí que entra a pergunta do Vivamelhor.me.

A Semus vai reorganizar os horários dos ACS e ACE?

Até o momento, não localizamos uma publicação oficial da Semus anunciando uma mudança específica e geral na jornada externa dos ACS e ACE de Palmas em razão das próximas ondas de calor.

Isso é importante deixar claro.

Não significa que nenhuma medida será tomada.

Significa que, até esta atualização, a Prefeitura já possui mecanismos de monitoramento e uma regulamentação que permite reorganizar atividades externas em períodos de temperaturas elevadas, mas ainda não encontramos um anúncio oficial de uma nova escala específica para os agentes diante do alerta mais recente.

A pergunta, portanto, está aberta.

Será que a Semus adotará horários mais adequados para as atividades externas?

Será que haverá orientação para concentrar visitas nos períodos de menor temperatura?

Será que determinadas atividades poderão ser realizadas internamente nos horários de calor mais intenso?

Será que haverá protocolos específicos para ACS e ACE?

E como ficarão as metas de visitas quando as condições climáticas aumentarem o risco para os trabalhadores?

O trabalho continua, mas a proteção também precisa continuar

ACS e ACE não podem ser colocados diante de uma falsa escolha entre cumprir suas atribuições e proteger a própria saúde.

O trabalho no território é fundamental para o SUS.

Mas a proteção do trabalhador também faz parte da organização adequada do serviço.

A própria Prefeitura reconhece que as condições climáticas adversas podem justificar a reorganização das atividades externas dos ACS e TACS.

Além disso, Palmas acaba de iniciar, em parceria com a Universidade Federal do Tocantins, um projeto de dois anos voltado justamente aos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, incluindo calor extremo, baixa umidade, queimadas e outros riscos ambientais.

Isso torna a discussão ainda mais atual.

A cidade está estudando os impactos das mudanças climáticas na saúde.

A Semus já monitora os riscos.

A regulamentação municipal permite adequar horários.

Então, qual será o próximo passo?

A pergunta que fica para Palmas

O Vivamelhor.me não está afirmando que a Prefeitura deve simplesmente suspender as atividades externas.

A questão é outra:

Como a Semus pretende proteger ACS e ACE diante de períodos de calor extremo sem comprometer a atenção à população?

Essa resposta interessa diretamente a quem está todos os dias nas ruas.

E talvez seja o momento de a categoria participar dessa discussão.

Porque o agente conhece o território.

Sabe onde o sol aperta mais.

Sabe quanto tempo leva para percorrer uma microárea.

Sabe quais visitas podem ser antecipadas.

E sabe, na prática, o que significa trabalhar sob o sol de Palmas.

O alerta climático chegou.

Agora falta saber qual será a resposta da gestão.

O Vivamelhor.me continuará acompanhando as medidas da Semus e os próximos atos relacionados à organização do trabalho dos ACS e ACE durante os períodos de calor intenso.

Porque cuidar de quem cuida também é fazer saúde.


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